Engenharia genetica

Trabalho de biologia proposto pelo docente José Salsa, com o interesse de nos dar a conhecer e de poder também informar outros cibernautas sobre este tema, principalmente abordando os assuntos éticos e sociais que a engenharia genética acarreta. Bem vindo ao mundo, onde os sonhos e os maiores medos são realidades!

sexta-feira, março 24, 2006

engenharia genética- em suma


Manipulação do DNA de um determinado organismo com o objectivo de estudar a estrutura e/ou função de determinado gene ou sequência, produzir ácidos núcleicos, proteínas ou processos biológicos úteis ou melhorar as características desse organismo.
A Engenharia Genética permite a identificação de genes ou sequências específicas, o seu isolamento do genoma de um organismo, a sua clonagem de forma a obter um grande número de cópias, a análise e modificação dessa cópia e a sua reinserção no genoma do organismo de origem ou num organismo diferente.

O esquema da figura seguinte (Fig. 3) pretende resumir, de forma abrangente, as abordagens técnicas e teóricas e aplicações da engenharia genética.


retirado de: members.tripod.com

Os avanços da genética são um perigo para a família?


A ordem institucional vai correr atrás da natureza transformada pelo homem. Práticas chocantes para os nossos avós já foram banalizados na Medicina comercial, como a venda de espermatozóides em bancos de sêmen, a inseminação artificial, a fertilização in vitro. Estudiosos como o economista americano Jeremy Rifkin e o filósofo brasileiro Laymert Garcia dos Santos apontam, cada um a seu modo, para ruptura da civilização. "Devemos lembrar que o alicerce da civilização humana funda-se na união do homem e da mulher na família, no parentesco e na ordem social extensa", disse Rifkin, inimigo declarado da engenharia genética. "A ruptura da ordem biológica é, também, a ruptura da ordem civilizacional", afirmou Garcia dos Santos, da Universidade de Campinas.
Nesse campo maternal, um dos encantos da clonagem da ovelha Dolly é que a célula somática (não sexual) extraída da glândula mamária que lhe deu origem transformou-se em célula reprodutora - portanto, Dolly não tem pai. Isso abre caminho para estonteantes batalhas éticas e judiciais.
Uma mulher sem filhos e sem marido poderá fazer uma autoclonagem - recebe um embrião fertilizado com as próprias células e dá à luz um bebé que também é ela mesma.
Duas mulheres que queiram ter um filho juntas poderão dispensar definitivamente os homens: o núcleo da célula de uma delas (no papel simbólico do macho) seria introduzido num óvulo sem núcleo da outra (no papel de fêmea), e ambas gerariam um filho com material genético do casal. Sobreviria um "pandemónio" quando elas fossem aos tribunais defender o direito de escrever na certidão de nascimento do bebé: "Mãe: Isabel. Pai: Margarete" .
Isso pode ser chocante hoje. Mas cedo poderemos acostumar-nos, com tais factos. Em 1975, data do primeiro bebé de proveta, o chocante era imaginar que um embrião formado a partir do espermatozóide e do óvulo de cônjuges casados no religioso pudesse ser implantado no útero de uma mãe de aluguer. Houve debates morais e jurídicos, rejeições (a Igreja Católica condena), mas a gravidez manipulada virou rotina, talvez porque aponte para o triunfo da vida tal como a conhecemos.
Na contramão, a ciência pode ser usada contra o livre arbítrio da família. Raul Billings, geneticista no Centro Médico dos Veteranos em Palo Alto, nos Estados Unidos, contou à revista inglesa The Economist a história de uma família que já tinha um filho com fibrose cística e soube, num teste de DNA, que o segundo bebé a caminho também iria desenvolver a doença, mas decidiu ter a criança. O seguro avisou que excluiria a família inteira do plano de saúde e só recuou quando foi ameaçado de processo. O bebé nasceu condenado a ter obstrução do pâncreas e infecções do fígado, e a morrer na infância. Mas a família preferiu usar a ciência para saber e a ética para decidir.

proveniente da revista "superinteressante"

quinta-feira, março 23, 2006

Cientistas descobrem gene que regula a fertilidade...


Cientistas australianos anunciaram, ontem, a descoberta de um gene regulador da fertilidade quando estudavam terapias contra o cancro. Michael McKay, do Centro para o Cancro do Hospital Peter MacCallum de Melbourne, explicou que a descoberta ocorreu durante um estudo sobre os efeitos da radioterapia. Por meio de engenharia genética, McKay criou um ratinho que não dispunha de dois genes necessários para reparar ADN danificado por radiação e descobriu que o animal não podia reproduzir-se. Durante o estudo, foram também criados ratinhos com um desses genes, conhecidos como REC8, e comprovou-se que as fêmeas abortavam sempre que engravidavam. McKay explicou que usou ratinhos devido à semelhança da sua estrutura genética com a dos seres humanos.

notícia do Jn do dia 28 de junho de 2005

é seguro consumir alimentos geneticamente modificados?


A UE irá assegurar a inexistência na Europa de alimentos geneticamente modificados que representem um risco para o consumidor.
Actualmente, os alimentos geneticamente modificados têm de ser aprovados pela UE para poderem ser comercializados na Europa.
Para ser aprovado, um alimento geneticamente modificado deverá ser sujeito à Avaliação de Risco Alimentar. Entre outros, são considerados os seguintes pontos:
Existe diferença entre os alimentos geneticamente modificados e os seus equivalentes não modificados? Entre outras, são efectuadas comparações em termos de gordura, proteínas, vitaminas e toxinas.
As novas substâncias ou matérias dos alimentos geneticamente modificados podem afectar os consumidores? Os valores nutricionais estão alterados? Os alimentos poderão tornar-se tóxicos ou causar reacções alérgicas?
Em alguns casos, são efectuadas experiências de alimentação de cobaias animais com estes produtos.
É difícil saber o que o futuro reserva ou prever as possíveis consequências a longo prazo da ingestão de produtos geneticamente modificados.
Em 1994, foi lançado no mercado norte-americano o primeiro produto geneticamente modificado - um tomate. Desde então, muitos mais surgiram e o consumo de alimentos geneticamente modificados tem-se tornado uma prática comum. As pessoas consomem alimentos geneticamente modificados há relativamente pouco tempo. Poderá, portanto, haver efeitos a longo prazo que ainda se desconhecem.
Os americanos são os que consomem alimentos geneticamente modificados há mais tempo, ingerindo hoje em dia este tipo de alimentos diariamente. Estima-se que cerca de 65% dos produtos disponíveis nos supermercados americanos contenham ingredientes geneticamente modificados em maior ou menor percentagem.
Estudos realizados nos EUA mostram que os americanos encaram com tranquilidade a modificação genética. Acham que deve ser seguro porque já consomem alimentos geneticamente transformados sem adoecerem.

www.bionetonline.org

os OGM...A favor e contra

Os alimentos geneticamente modificados suscitam muitas dúvidas, inclusivamente muitas questões éticas sobre as quais todos nos devemos pronunciar.
A ética tem a ver com aquilo que podemos e aquilo que devemos fazer. Tem a ver com a diferença entre bem e mal - certo e errado.
Eis alguns exemplos de questões éticas em torno do debate sobre engenharia genética.
Andarão os cientistas a fazer de Deus ou estarão eles meramente a apoiar uma evolução natural?Quando fazemos modificações genéticas, alteramos as características dos animais e das plantas, retirando genes de uma planta ou animal e colocando-os noutra planta ou animal. Ou ainda, retirando as características indesejáveis da planta ou animal.
Utilizando a engenharia genética, uma característica de um narciso poderá, por exemplo, ser transferida para uma planta do arroz, tendo como finalidade cultivar arroz com um elevado teor de vitamina A. Um narciso e uma planta do arroz nunca se polinizarão uma à outra nem permutarão genes espontaneamente.
É igualmente possível transferir características de um animal para uma planta, que é algo que também não acontece por si na natureza.
Os cépticos poderão perguntar:
Não andarão os cientistas a fazer de Deus ao mudarem as características de uma planta?
E estará certo alterar as suas características inerentes?
Será correcto permitir alterações que não possam ocorrer naturalmente?
Poderão os cientistas permitir-se interferir com muitos milhões de anos de evolução natural? E estará certo permitir-lhes que afectem a ordem natural da natureza?
Os defensores poderão, por outro lado, perguntar:
Se a modificação genética dos alimentos for anti-natural, não serão todos os outros elementos da agricultura anti-naturais? As vacas produzem hoje muito mais leite do que antigamente, os frangos crescem mais depressa e as galinhas põem mais ovos.
Existe alguma diferença entre a modificação genética dos alimentos e as alterações não genéticas permitidas nas culturas e no gado ao longo da história da agricultura? Originariamente, o milho era um vegetal do tamanho de um dedo. Hoje as maçarocas são maiores que a mão de um homem. Uma alteração conseguida, pura e simplesmente, através do desenvolvimento agrícola.
Não é a modificação genética apenas uma extensão do desenvolvimento, que tem vindo a ocorrer ao longo de milhares de anos para assegurar produtos de qualidade?
Os alimentos geneticamente modificados são perigosos ou as pessoas estão apenas receosas de algo novo?Não conhecemos os riscos envolvidos na modificação genética dos alimentos.
Talvez, a longo prazo, a modificação genética dos alimentos possa vir a ser a causa de alterações indesejáveis ou directamente perigosas. A natureza poderá ficar estandardizada. As pessoas poderão adoecer ou ficar estéreis. Não sabemos ao certo.
Quando o telefone apareceu não trouxe as consequências indesejáveis que os cépticos receavam, como o isolamento entre as pessoas e a eliminação da necessidade de se encontrarem com os amigos e familiares. Hoje, muita gente diria que o telefone, pelo contrário, une mais as pessoas. Portanto, talvez os seres humanos receiem, por natureza, as novas tecnologias.
Os cépticos poderão perguntar:
Sabemos o suficiente para podermos consumir com segurança alimentos geneticamente modificados? Qual o grau de segurança da avaliação de riscos que os cientistas fazem dos alimentos geneticamente modificados?
Ousaremos correr o risco de utilizar a modificação genética dos alimentos sem sabermos os seus efeitos a longo prazo?
Será justo comparar a modificação genética dos alimentos com uma descoberta como o telefone? Os telefones não têm filhos!
Ousaremos correr o risco de expor o ambiente a plantas geneticamente modificadas? Se se descobrir que elas são nocivas, não poderemos fazer nada. E os danos podem disseminar-se se as plantas se multiplicarem.
Os alimentos geneticamente modificados serão realmente necessários? Vale a pena correr os riscos para nós e para o ambiente se pudermos dispensar os alimentos geneticamente modificados?
Os defensores poderão, por outro lado, perguntar:
Os alimentos geneticamente modificados não são apenas uma parte natural do desenvolvimento do homem? Quem poderia imaginar hoje o mundo sem telefones?
Poderemos permitir-nos dizer não à tecnologia, que pode reduzir a utilização de pulverizações e proporcionar alimentos mais saudáveis, apenas pelo facto de sermos naturalmente receosos?
Será realmente possível prever o risco num mundo em constante mudança?
Será razoável aceitar um grau de risco se os benefícios forem suficientemente grandes? Não será isto um jogo associado a qualquer tipo de desenvolvimento?
Deveremos ter sempre o direito de escolher aquilo que comemos?Na Europa, se um alimento contiver material geneticamente modificado, terá de constar na respectiva embalagem que se trata de um alimento geneticamente modificado.
Os alimentos que contiverem involuntariamente menos de 1% de material geneticamente modificado não necessitam de rotulagem. O mesmo é válido para os alimentos produzidos a partir de plantas geneticamente modificadas mas que não contenham material geneticamente modificado.
O leite e os produtos animais, derivados de animais alimentados com ração geneticamente modificada, não necessitam de rotulagem. Por outras palavras, um produto alimentar pode ser produzido com a ajuda de modificação genética sem que o consumidor seja disso informado na embalagem.
Os cépticos poderão perguntar:
Será correcto que o açúcar extraído de beterrabas geneticamente modificadas e o óleo extraído de sementes de colza geneticamente modificada não necessitem de ser rotulados?
E que a carne e o leite dos animais alimentados com rações geneticamente modificadas não tenham que ser rotulados?
A questão importante não será assegurar que, nos casos em que a modificação genética tenha sido utilizada, os consumidores sejam avisados para poderem evitar esses produtos?
Não deveria o consumidor poder verificar em todos os alimentos se os mesmos são produzidos com o recurso à modificação genética?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Se o açúcar extraído de uma beterraba geneticamente modificada é idêntico a todos os outros açúcares, não será indiferente para o consumidor se o açúcar é ou não produzido com a ajuda da engenharia genética?
Se um rótulo significa alguma coisa, não deverá ele permitir-nos discernir a diferença entre os produtos?
Não estaremos aqui perante um debate totalmente diferente? Um debate sobre como produzimos hoje os nossos alimentos e como queremos que eles sejam produzidos no futuro. Será razoável, por exemplo, que muitos alimentos sejam bombardeados de produtos químicos cancerígenos e alergénicos?
A quem pertencem os genes?Geralmente, são as grandes multinacionais que financiam o desenvolvimento de produtos geneticamente modificados.
Quando uma empresa desenvolve um novo produto, é usual essa empresa patentear o produto. Isto poderá significar que um agricultor que tenha adquirido uma semente geneticamente modificada, não possa cultivar sementes para semear nos anos seguintes sem ter de pagar.
As normas das patentes variam de país para país. Na Europa aplica-se o chamado "privilégio do agricultor", o que significa que o agricultor poderá semear sementes geneticamente modificadas que ele próprio tenha cultivado. Mas a semente só pode ser utilizada no seu próprio terreno.
As empresas poderão assegurar os seus rendimentos provenientes das plantas geneticamente modificadas utilizando a chamada tecnologia terminadora. Neste caso, as plantas são geneticamente modificadas por forma a que as respectivas sementes sejam estéreis. Isto significa que não é possível continuar a propagar a planta geneticamente modificada. Mas significa também que os agricultores são obrigados a comprar anualmente novas sementes.
Os cépticos poderão perguntar:
Será justo as empresas patentearem plantas geneticamente modificadas e reter direitos sobre elas?
É aceitável que as empresas possam cada vez mais controlar os genes, os processos e os produtos químicos? Por exemplo, é possível uma empresa desenvolver um produto para pulverização e uma cultura geneticamente modificada capaz de resistir a esse produto de pulverização
Não será a riqueza biológica da terra herança e propriedade de toda a humanidade?
Será justo a tecnologia terminadora forçar os agricultores pobres a adquirir todos os anos novas sementes, podendo eles obter as suas próprias sementes completamente de graça?
Será justo as grandes empresas terem poder e controlo sobre a nossa cadeia alimentar, deste o solo até à mesa?
As multinacionais não estarão apenas a alargar o fosso existente entre os ricos do ocidente e os pobres dos países subdesenvolvidos?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Quem disse que as patentes das empresas são algo a recear? Se o preço praticado junto dos agricultores pobres for muito alto, as grandes empresas pura e simplesmente não conseguirão vender as suas sementes.
Será justo negar uma tecnologia capaz de nos proporcionar novas e valiosas descobertas?
Não será razoável as empresas cobrirem os custos de desenvolvimento da modificação genética com direitos de patente?
Iremos correr o risco de as empresas não investirem dinheiro no desenvolvimento de alimentos geneticamente modificados melhores e mais baratos?
Não será razoável utilizar terminologia terminadora para evitar a disseminação de plantas geneticamente modificadas aos terrenos circundantes e à natureza?
Será tão importante saber quem produz os alimentos, se estes forem melhores e mais baratos?
Poderão os países ricos recusar-se a salvar os pobres de morrer de fome?A maior parte da investigação sobre os alimentos geneticamente modificados decorre nos países mais ricos. Mas alguns dos produtos são desenvolvidos para beneficiar os países pobres e subdesenvolvidos.
O arroz geneticamente transformado com um suplemento de Vitamina A poderá ajudar muitos pobres que, de outro modo, poderiam cegar ou morrer de carências vitamínicas. O milho geneticamente modificado pode ser cultivado em zonas desérticas, o que poderá dar aos agricultores pobres uma maior segurança com uma colheita que não falha.
Os cépticos poderão perguntar
Será justo o ocidente desenvolver produtos de que os países subdesenvolvidos possam ficar dependentes?
Uma distribuição mais justa dos alimentos existentes no mundo e uma dieta mais variada nos países subdesenvolvidos não seria uma melhor solução?
As promessas de salvar as populações famintas do mundo não serão apenas um truque astucioso das empresas de biotecnologia? Um truque para convencer os cépticos de que há vantagens na tecnologia genética.
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Será justo que nós, no mundo ocidental, nos distanciemos de uma tecnologia que poderá salvar os países subdesenvolvidos da fome?
Poderemos permitir-nos dizer não às culturas geneticamente modificadas, se estas ajudarem os agricultores pobres a obterem uma melhor colheita? Por exemplo, com culturas capazes de suportar períodos de seca.
Não deveríamos estar gratos pela existência de arroz geneticamente modificado com nutrientes suplementares capazes de prevenirem a doença e a cegueira?
Poderemos nós, no mundo ocidental, permitir-nos dizer não em nome dos pobres?
Estaremos a jogar à roleta russa com o ambiente quando fazemos modificação genética?A modificação genética poderá proporcionar-nos plantas e animais com muitas características diferentes.
Por exemplo, foi desenvolvida uma qualidade de milho capaz de produzir insecticida. Estas características significam que o agricultor já não necessita de pulverizar insecticida que iria afectar o meio envolvente. Ao evitar a utilização de pesticidas, o agricultor evita contaminar o ambiente.
Mas o veneno do milho também poderá afectar outros animais para além dos nocivos. Deste modo, animais inofensivos arriscam-se a perder o seu alimento ou mesmo a extinguir-se.
Os cépticos poderão perguntar:
Poderemos aceitar o risco de as características transferidas se alastrarem às plantas selvagens?
Poderemos correr o risco de desconhecer as consequências da disseminação destas características à natureza?
E se uma planta geneticamente modificada se reproduzir como os coelhos que foram levados para a Austrália? Os coelhos causaram enormes alterações na cadeia alimentar. Tal como a pata-de-urso gigante do Cáucaso que alastrou descontroladamente na Europa sufocando outras espécies vegetais.
Não estará o desenvolvimento a caminhar na direcção errada quando produzimos plantas geneticamente modificadas capazes de resistir à pulverização da cultura? Não seria preferível trabalharmos no sentido de eliminar completamente os venenos?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Poderemos permitir-nos dizer não às plantas geneticamente modificadas capazes de reduzir a utilização de produtos tóxicos para pulverização?
Com os impactes existentes sobre o nosso ambiente, não deveríamos estar gratos por uma tecnologia que possibilita a sua protecção? Os alimentos geneticamente modificados suscitam muitas dúvidas, inclusivamente muitas questões éticas sobre as quais todos nos devemos pronunciar.
A ética tem a ver com aquilo que podemos e aquilo que devemos fazer. Tem a ver com a diferença entre bem e mal - certo e errado.
Eis alguns exemplos de questões éticas em torno do debate sobre engenharia genética.
Andarão os cientistas a fazer de Deus ou estarão eles meramente a apoiar uma evolução natural?Quando fazemos modificações genéticas, alteramos as características dos animais e das plantas, retirando genes de uma planta ou animal e colocando-os noutra planta ou animal. Ou ainda, retirando as características indesejáveis da planta ou animal.
Utilizando a engenharia genética, uma característica de um narciso poderá, por exemplo, ser transferida para uma planta do arroz, tendo como finalidade cultivar arroz com um elevado teor de vitamina A. Um narciso e uma planta do arroz nunca se polinizarão uma à outra nem permutarão genes espontaneamente.
É igualmente possível transferir características de um animal para uma planta, que é algo que também não acontece por si na natureza.
Os cépticos poderão perguntar:
Não andarão os cientistas a fazer de Deus ao mudarem as características de uma planta?
E estará certo alterar as suas características inerentes?
Será correcto permitir alterações que não possam ocorrer naturalmente?
Poderão os cientistas permitir-se interferir com muitos milhões de anos de evolução natural? E estará certo permitir-lhes que afectem a ordem natural da natureza?
Os defensores poderão, por outro lado, perguntar:
Se a modificação genética dos alimentos for anti-natural, não serão todos os outros elementos da agricultura anti-naturais? As vacas produzem hoje muito mais leite do que antigamente, os frangos crescem mais depressa e as galinhas põem mais ovos.
Existe alguma diferença entre a modificação genética dos alimentos e as alterações não genéticas permitidas nas culturas e no gado ao longo da história da agricultura? Originariamente, o milho era um vegetal do tamanho de um dedo. Hoje as maçarocas são maiores que a mão de um homem. Uma alteração conseguida, pura e simplesmente, através do desenvolvimento agrícola.
Não é a modificação genética apenas uma extensão do desenvolvimento, que tem vindo a ocorrer ao longo de milhares de anos para assegurar produtos de qualidade?
Os alimentos geneticamente modificados são perigosos ou as pessoas estão apenas receosas de algo novo?Não conhecemos os riscos envolvidos na modificação genética dos alimentos.
Talvez, a longo prazo, a modificação genética dos alimentos possa vir a ser a causa de alterações indesejáveis ou directamente perigosas. A natureza poderá ficar estandardizada. As pessoas poderão adoecer ou ficar estéreis. Não sabemos ao certo.
Quando o telefone apareceu não trouxe as consequências indesejáveis que os cépticos receavam, como o isolamento entre as pessoas e a eliminação da necessidade de se encontrarem com os amigos e familiares. Hoje, muita gente diria que o telefone, pelo contrário, une mais as pessoas. Portanto, talvez os seres humanos receiem, por natureza, as novas tecnologias.
Os cépticos poderão perguntar:
Sabemos o suficiente para podermos consumir com segurança alimentos geneticamente modificados? Qual o grau de segurança da avaliação de riscos que os cientistas fazem dos alimentos geneticamente modificados?
Ousaremos correr o risco de utilizar a modificação genética dos alimentos sem sabermos os seus efeitos a longo prazo?
Será justo comparar a modificação genética dos alimentos com uma descoberta como o telefone? Os telefones não têm filhos!
Ousaremos correr o risco de expor o ambiente a plantas geneticamente modificadas? Se se descobrir que elas são nocivas, não poderemos fazer nada. E os danos podem disseminar-se se as plantas se multiplicarem.
Os alimentos geneticamente modificados serão realmente necessários? Vale a pena correr os riscos para nós e para o ambiente se pudermos dispensar os alimentos geneticamente modificados?
Os defensores poderão, por outro lado, perguntar:
Os alimentos geneticamente modificados não são apenas uma parte natural do desenvolvimento do homem? Quem poderia imaginar hoje o mundo sem telefones?
Poderemos permitir-nos dizer não à tecnologia, que pode reduzir a utilização de pulverizações e proporcionar alimentos mais saudáveis, apenas pelo facto de sermos naturalmente receosos?
Será realmente possível prever o risco num mundo em constante mudança?
Será razoável aceitar um grau de risco se os benefícios forem suficientemente grandes? Não será isto um jogo associado a qualquer tipo de desenvolvimento?
Deveremos ter sempre o direito de escolher aquilo que comemos?Na Europa, se um alimento contiver material geneticamente modificado, terá de constar na respectiva embalagem que se trata de um alimento geneticamente modificado.
Os alimentos que contiverem involuntariamente menos de 1% de material geneticamente modificado não necessitam de rotulagem. O mesmo é válido para os alimentos produzidos a partir de plantas geneticamente modificadas mas que não contenham material geneticamente modificado.
O leite e os produtos animais, derivados de animais alimentados com ração geneticamente modificada, não necessitam de rotulagem. Por outras palavras, um produto alimentar pode ser produzido com a ajuda de modificação genética sem que o consumidor seja disso informado na embalagem.
Os cépticos poderão perguntar:
Será correcto que o açúcar extraído de beterrabas geneticamente modificadas e o óleo extraído de sementes de colza geneticamente modificada não necessitem de ser rotulados?
E que a carne e o leite dos animais alimentados com rações geneticamente modificadas não tenham que ser rotulados?
A questão importante não será assegurar que, nos casos em que a modificação genética tenha sido utilizada, os consumidores sejam avisados para poderem evitar esses produtos?
Não deveria o consumidor poder verificar em todos os alimentos se os mesmos são produzidos com o recurso à modificação genética?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Se o açúcar extraído de uma beterraba geneticamente modificada é idêntico a todos os outros açúcares, não será indiferente para o consumidor se o açúcar é ou não produzido com a ajuda da engenharia genética?
Se um rótulo significa alguma coisa, não deverá ele permitir-nos discernir a diferença entre os produtos?
Não estaremos aqui perante um debate totalmente diferente? Um debate sobre como produzimos hoje os nossos alimentos e como queremos que eles sejam produzidos no futuro. Será razoável, por exemplo, que muitos alimentos sejam bombardeados de produtos químicos cancerígenos e alergénicos?
A quem pertencem os genes?Geralmente, são as grandes multinacionais que financiam o desenvolvimento de produtos geneticamente modificados.
Quando uma empresa desenvolve um novo produto, é usual essa empresa patentear o produto. Isto poderá significar que um agricultor que tenha adquirido uma semente geneticamente modificada, não possa cultivar sementes para semear nos anos seguintes sem ter de pagar.
As normas das patentes variam de país para país. Na Europa aplica-se o chamado "privilégio do agricultor", o que significa que o agricultor poderá semear sementes geneticamente modificadas que ele próprio tenha cultivado. Mas a semente só pode ser utilizada no seu próprio terreno.
As empresas poderão assegurar os seus rendimentos provenientes das plantas geneticamente modificadas utilizando a chamada tecnologia terminadora. Neste caso, as plantas são geneticamente modificadas por forma a que as respectivas sementes sejam estéreis. Isto significa que não é possível continuar a propagar a planta geneticamente modificada. Mas significa também que os agricultores são obrigados a comprar anualmente novas sementes.
Os cépticos poderão perguntar:
Será justo as empresas patentearem plantas geneticamente modificadas e reter direitos sobre elas?
É aceitável que as empresas possam cada vez mais controlar os genes, os processos e os produtos químicos? Por exemplo, é possível uma empresa desenvolver um produto para pulverização e uma cultura geneticamente modificada capaz de resistir a esse produto de pulverização
Não será a riqueza biológica da terra herança e propriedade de toda a humanidade?
Será justo a tecnologia terminadora forçar os agricultores pobres a adquirir todos os anos novas sementes, podendo eles obter as suas próprias sementes completamente de graça?
Será justo as grandes empresas terem poder e controlo sobre a nossa cadeia alimentar, deste o solo até à mesa?
As multinacionais não estarão apenas a alargar o fosso existente entre os ricos do ocidente e os pobres dos países subdesenvolvidos?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Quem disse que as patentes das empresas são algo a recear? Se o preço praticado junto dos agricultores pobres for muito alto, as grandes empresas pura e simplesmente não conseguirão vender as suas sementes.
Será justo negar uma tecnologia capaz de nos proporcionar novas e valiosas descobertas?
Não será razoável as empresas cobrirem os custos de desenvolvimento da modificação genética com direitos de patente?
Iremos correr o risco de as empresas não investirem dinheiro no desenvolvimento de alimentos geneticamente modificados melhores e mais baratos?
Não será razoável utilizar terminologia terminadora para evitar a disseminação de plantas geneticamente modificadas aos terrenos circundantes e à natureza?
Será tão importante saber quem produz os alimentos, se estes forem melhores e mais baratos?
Poderão os países ricos recusar-se a salvar os pobres de morrer de fome?A maior parte da investigação sobre os alimentos geneticamente modificados decorre nos países mais ricos. Mas alguns dos produtos são desenvolvidos para beneficiar os países pobres e subdesenvolvidos.
O arroz geneticamente transformado com um suplemento de Vitamina A poderá ajudar muitos pobres que, de outro modo, poderiam cegar ou morrer de carências vitamínicas. O milho geneticamente modificado pode ser cultivado em zonas desérticas, o que poderá dar aos agricultores pobres uma maior segurança com uma colheita que não falha.
Os cépticos poderão perguntar
Será justo o ocidente desenvolver produtos de que os países subdesenvolvidos possam ficar dependentes?
Uma distribuição mais justa dos alimentos existentes no mundo e uma dieta mais variada nos países subdesenvolvidos não seria uma melhor solução?
As promessas de salvar as populações famintas do mundo não serão apenas um truque astucioso das empresas de biotecnologia? Um truque para convencer os cépticos de que há vantagens na tecnologia genética.
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Será justo que nós, no mundo ocidental, nos distanciemos de uma tecnologia que poderá salvar os países subdesenvolvidos da fome?
Poderemos permitir-nos dizer não às culturas geneticamente modificadas, se estas ajudarem os agricultores pobres a obterem uma melhor colheita? Por exemplo, com culturas capazes de suportar períodos de seca.
Não deveríamos estar gratos pela existência de arroz geneticamente modificado com nutrientes suplementares capazes de prevenirem a doença e a cegueira?
Poderemos nós, no mundo ocidental, permitir-nos dizer não em nome dos pobres?
Estaremos a jogar à roleta russa com o ambiente quando fazemos modificação genética?A modificação genética poderá proporcionar-nos plantas e animais com muitas características diferentes.
Por exemplo, foi desenvolvida uma qualidade de milho capaz de produzir insecticida. Estas características significam que o agricultor já não necessita de pulverizar insecticida que iria afectar o meio envolvente. Ao evitar a utilização de pesticidas, o agricultor evita contaminar o ambiente.
Mas o veneno do milho também poderá afectar outros animais para além dos nocivos. Deste modo, animais inofensivos arriscam-se a perder o seu alimento ou mesmo a extinguir-se.
Os cépticos poderão perguntar:
Poderemos aceitar o risco de as características transferidas se alastrarem às plantas selvagens?
Poderemos correr o risco de desconhecer as consequências da disseminação destas características à natureza?
E se uma planta geneticamente modificada se reproduzir como os coelhos que foram levados para a Austrália? Os coelhos causaram enormes alterações na cadeia alimentar. Tal como a pata-de-urso gigante do Cáucaso que alastrou descontroladamente na Europa sufocando outras espécies vegetais.
Não estará o desenvolvimento a caminhar na direcção errada quando produzimos plantas geneticamente modificadas capazes de resistir à pulverização da cultura? Não seria preferível trabalharmos no sentido de eliminar completamente os venenos?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Poderemos permitir-nos dizer não às plantas geneticamente modificadas capazes de reduzir a utilização de produtos tóxicos para pulverização?
Com os impactes existentes sobre o nosso ambiente, não deveríamos estar gratos por uma tecnologia que possibilita a sua protecção?

retirado de:www.bionetonline.org

Alimentos geneticamente modificados


Um tomate concebido para se manter fresco durante muito tempo é um exemplo de um alimento geneticamente modificado. Milho concebido para resistir aos pesticidas é outro exemplo.
Os alimentos geneticamente modificados são, por exemplo, género de plantas cujas características genéticas foram modificadas. Os cientistas ajustam as suas características introduzindo neles um novo material genético, por exemplo, de uma bactéria capaz de resistir aos pesticidas.
Os animais também podem ser geneticamente modificados. Os cientistas estão a investigar a modificação genética de peixes, vacas e porcos, entre outros. Mas, actualmente, não existe no mercado carne geneticamente modificada.
Todos os animais, pessoas, plantas e bactérias contêm genes que decidem as nossas características.

fonte: www.bionetonline.org

quarta-feira, março 22, 2006

vinho trangénico...(artigo)


Cientistas da Baviera degustam o primeiro vinho modificado geneticamente produzido na região da Francônia. Eles afirmam que a experiência é de mero caráter científico e não visa a comercialização do produto. Para ambientalistas e defensores do plantio organico, o vinho trangénico é uma afronta à vinicultura alemã.
Em 1999, quando o Instituto Robert Koch autorizou os primeiros experiências genéticas em videiras da Alemanha, as críticas foram enormes. Passados quatro anos, os primeiros litros do vinho trangénico ficaram prontos, trazendo o assunto novamente à tona na Alemanha.
Desenvolvido estritamente para fins de pesquisa, conforme afirmação dos cientistas, o vinho trangénico está a passar agora pela fase de degustação. "O objetivo do projeto é, em primeiro lugar, aperfeiçoar a resistência das videiras contra fungos", esclareceu Angelika Schartl, que coordena a experiência realizada em Veitshöchheim, região da Francônia, norte da Baviera, onde foram produzidas 50 garrafas da bebida.
A finalidade é reduzir o uso de fungicidas. Para tanto, os cientistas implantaram dois genes de cevada nas cepas. Na cidade de Siebeldingen, no estado da Renânia-Palatinado, o Instituto Geilweilerhof, especializado em viticultura, também realizou experiências em videiras de castas Riesling, Dornfelder e Seyval blank.
" A nossa meta é descobrir como a planta reage à mudança genética na fase de repouso", explicou Reinhard Töpfer, director do Instituto Geilweilerhof, lembrando que a pesquisa não pretende atender a interesses comerciais.
Os cientistas esforçam-se em desmentir qualquer especulação sobre a possibilidade de a pesquisa visar a comercialização do vinho genético. "Trata-se de um projeto científico que tem por objectivo colher informações sobre plantas transgénicas em solo livre e não conquistar o mercado de vinho", frisou Schartl.
-Projecto de moral duvidosa?
Desde a época em que as experiências foram autorizadas, ecologistas e viticultores ligados ao cultivo organico das videiras foram contrários à pesquisa. Eles temem riscos incalculáveis que o vinho trangénico possa acarretar. A Liga de Proteção à Natureza classificou a pesquisa de "uma afronta à viticultura da Francônia".
"Este projecto é de moral duvidosa. E este é apenas o começo", avaliou Johann Schnell, da Associação Ecovin, de viticultores que praticam o plantio organico. Schnell disse ainda que o cultivo tradicional de videiras já conseguiu solucionar, com sucesso, o problema com os fungos, desenvolvendo plantas resistentes.
Schartl, por sua vez, não vê qualquer paradoxo entre a pesquisa e os princípios ecológicos. "Ecologia e tecnologia genética são duas coisas que não se contradizem. Nós também cuidamos da proteção ambiental quando colocamos no mercado plantas resistentes aos fungos", resumiu a bióloga.

fonte: www.dw-world.de

células-tronco - importortância


" O anúncio feito, no dia 25 de novembro de 2001, pela empresa norte-americana Advanced Cell Technology Inc. (ACT), de que havia concluído a primeira clonagem de um embrião humano, reacendeu a discussão sobre o tema em todo o mundo. Os cientistas produziram um embrião a partir de células da pele de um paciente. Se implantado em uma mulher, o embrião clonado teoricamente poderia dar origem a um ser humano.
O objectivo da clonagem, no entanto, não foi a reprodução, mas sim a obtenção de células-tronco com fins terapêuticos (para serem extraídas do embrião e implantadas no paciente). A vantagem dessa técnica seria a de não oferecer risco de rejeição, pois as células-tronco teriam exactamente as mesmas informações genéticas que o paciente. Mas o transplante não chegou a ser realizado porque o embrião sobreviveu apenas 72 horas.
O que torna a célula-tronco particularmente importante é a sua capacidade de se transformar em diferentes tipos de células. Os cientistas vêem nessa "metamorfose" o potencial tratamento de doenças que afectam milhões de pessoas no mundo. As pesquisas representam uma nova esperança para portadores de doenças neurológicas, diabetes, problemas cardíacos, derrames, lesões da coluna cervical e doenças sanguíneas.
As células-tronco podem ser embrionárias (formadas no interior do embrião nos primeiros cinco dias após a fertilização do óvulo) ou adultas (encontradas em tecidos maduros, tanto no corpo de crianças quanto de adultos). A diferença entre elas está na capacidade de se transformar em outros tipos de células. Enquanto as embrionárias transformam-se em praticamente qualquer célula do corpo (por isso são as mais promissoras para pesquisas), as adultas é mais especializadas e dão origem a tipos específicos de células.
No estágio inicial, as células do embrião ainda não "decidiram" se vão virar célula de sangue, pele, músculo e etc. As células-tronco embrionárias podem ser induzidas a transformarem-se em células sanguíneas, musculares, hepáticas, de pele, células secretoras de insulina e até em neurónios. Os pesquisadores geralmente obtêm células-tronco embrionárias de embriões descartados em clínicas de fertilidade (embriões que não são implantados num útero e nem destruídos).
Na opinião do professor em Hematologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Costa, a contribuição da clonagem de embrião humano seria a de fornecer células-tronco para diferentes tipos de transplantes. A geneticista Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo (USP), considera válida a experiência de clonar um embrião para a retirada de células-tronco. "É uma óptima alternativa para evitar a rejeição no transplante, mas que não se justifica para a reprodução", acrescenta.
O uso de células-tronco substituindo células de áreas danificadas não tem nenhuma relação com a clonagem. O transplante de medula óssea, utilizado no tratamento de algumas formas de cancro, é o exemplo mais comum de transplante de células-tronco. Neste caso, as células-tronco são retiradas da medula óssea ou do sangue periférico do cordão umbilical de doadores ou do próprio paciente. Preferencialmente o doador deve ser compatível com o receptor. A exigência da compatibilidade e o reduzido número de pessoas dispostas a fazer doação fazem com que muitos pacientes fiquem um longo período na fila de espera por um transplante. O Registo Nacional de Doadores Voluntários de medula óssea tem 16 mil pessoas inscritas. Um banco, para ser eficiente, deve ter no mínimo 50 mil doadores.
Potencial das células-tronco adultas
O processo de rejeição à célula-tronco é o mesmo que ocorre em qualquer transplante. O corpo do receptor, a menos que seja tratado com drogas imunossupressoras, rejeitará a nova célula. Neste caso, as células-tronco adultas apresentam maior vantagem do que as embrionárias. Elas oferecem a possibilidade de ser retiradas do próprio paciente, evitando o risco de rejeição.
"Do ponto de vista ético é excelente. Não precisar de clone de embrião ou uso de células embrionárias. Só que, por enquanto, não se sabe exactamente quais os factores que as fazem diferenciar-se", diz a neurocientista Rosália Mendes Otero, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que integra o projecto Instituto do Milênio de Bioengenharia Tecidual, apoiado pelo CNPq. O grande desafio é fazer com que as células-tronco adultas se transformem em células de outros órgãos, como fazem as embrionárias. Essa nova área de pesquisa trata de conseguir separar as células imaturas (com pouco compromisso de diferenciação e por isso mais semelhantes com as embrionárias) das maduras. Em laboratórios, com uso de determinados marcadores poder-se-ia mobilizar as células adultas imaturas e tentar transformá-las em células de diferentes tecidos ou órgãos.
Embora com limitações, as células-tronco adultas também têm plasticidade. Estudos experimentais em animais já comprovaram a possibilidade de transformar uma célula-tronco adulta do sangue em células de outros tecidos, como fígado, músculo e vasos. Na Alemanha, um paciente infartado teve o miocárdio (músculo do coração) recuperado após transplante de células-tronco retiradas de sua medula óssea."

excerto de uma reportagem proveniente do www.comciencia.br

terça-feira, março 21, 2006

manipulação e consequências...


No estágio actual da engenharia genética é possível modificar geneticamente plantas e animais, assim como produzir microorganismos em ambientes controlados (laboratórios ou instalações industriais). Estas actividades, em grande expansão, deram origem a importantes ramos de investigação industrial como a engenharia genética.
1. Manipulação de Células de Plantas: Há muito que se produz e se consome alimentos geneticamente modificados, os transgénicos (milho, arroz, soja, morangos, etc). um dos exemplos mais antigos desta manipulação é o Tricale, um cereal que foi criado pelo homem através do cruzamento do trigo e do centeio.
A manipulação tem em vista frequentemente corrigir os organismos de forma a torná-los resistentes a certas pragas, aumentar a sua produção, etc.
2. Manipulação de Células de Animais: Os laboratórios em todo o mundo manipulam também há muito as células de animais modificando desta forma as suas características genéticas, criando também novos seres. Os que defendem estas práticas afirmam que os métodos são novos mas a realidade é antiga. A mula é, por exemplo, o fruto do cruzamento entre o cavalo e a burra.
3.Manipulação de Células de Seres Humanos: A descodificação do código genético humano em curso irá num futuro próximo possibilitar manipular de forma precisa os genes dos seres humanos, de modo a realizar algo semelhante ao que se faz com as plantas e os animais.
Manipulação genética, realizada actualmente em larga escala, não deixa de levantar em todo o mundo uma profunda inquietação:
a) Consequências imprevisíveis: Questiona-se a introdução destes novos organismos geneticamente modificados (OGM) em ambientes abertos, uma vez que se desconhece as suas consequências a longo prazo para os outros seres vivos, nomeadamente os da mesma espécie.
b) Integridade biológica: Questiona-se o direito dos seres humanos actuais em alterarem uma herança biológica que herdaram e que inevitavelmente irão modificar ou destruir.
c) Redução da Biodiversdade: Questiona-se a redução que estas técnicas de melhoria e selecção estão a provocar na natureza, tendo nós um conhecimento muito limitado dos mecanismo biológicos.
d) Novas formas de domínio: Questiona-se as novas formas de poder que estão a ser criadas por parte dos laboratórios que produzem estes novos OGM. Estes ao possuírem as suas patentes, controlam ( e lucram) com a sua utilização, reprodução e possíveis melhorias.
e)Sofrimento: Questiona-se os sofrimento que estas experiências provocam nos animais, para além dos limites do razoável, tendo apenas um único objectivo: a sua sobre-exploração.
Estas objecções são refutadas pelos defensores destes procedimentos, avançado com duas razões fundamentais: Em primeiro lugar na natureza nada é estático, dos organismos é uma realidade, embora não tenhamos a perspectiva suficiente para a observar. Não faz pois sentido falar da integridade de uma coisa que não existe. Por último, os engenheiros genéticos quando manipulam geneticamente os organismos não manifestam falta de respeito pelos mesmos. A sua perspectiva é outra. A vida para eles não passa de um conjunto de reacções químicas, um gene fora do seu contexto não é mais do que uma molécula. Concluindo: os engenheiros genéticos não trabalham com seres, mas apenas com reacções químicas, moléculas, sistemas mecânicos sofisticados, etc. O seu trabalho consiste em operar laboratorialmente com estes elementos.
Este argumento, baseado na suposta neutralidade da actividade cientifica, foi há muito refutado pela evidência dos factos. A partir do século XX, muitos cientistas passaram a colaborar activamente na produção de armas de destruição maciça. Nem sempre os cientistas buscam o bem da Humanidade, frequentemente também se envolvem na procura dos meios de a destruir. Num caso e outro utilizam os mesmos métodos e o rigor científico.

fonte: www.afilosofia.no.sapo.pt

Excerto de um artigo sobre engenharia genética na perspectiva de Alejandra Rotania


"A engenharia é o conhecimento prático, a arte, a técnica, que permitia antigamente e ainda permite a projecção, o desenho e a construção de artefactos, materiais de diversos graus de complexidade para uso humano, que lhes facilitam a vida e complementam o que a natureza oferece para a sobrevivência.
A diferença entre a engenharia tradicional e a biológica/molecular/genética é que na primeira os protótipos fabricam-se com matéria inerte, inorgânica, eles podem ser, mil vezes experimentados. Na matéria viva, biológica, genética, qualquer erro é definitivo, irreversível, irreparável. Este facto é o que dá o diferencial fantástico da VIDA e o que parece estabelecer um limite ontológico definitivo para a acção humana sobre as espécies e sobre si mesma.
Deste modo, a vida – transformada em novos produtos para o mercado – nas suas múltiplas e variadas expressões, com estruturas que contem e transmitem a hereditariedade das várias espécies de seres vivos, transforma-se em objecto de manipulação tecnocientífica, seja no caso de modificação genética seja no caso das recombinações genéticas (genes de diferentes espécies).O Projecto Genoma Humano é um exemplo relevante dos novos produtos (“originais ou derivados”) do mercado biotecnológico que deflagram disputas económicas entre as grandes corporações. A reprodução humana inclui-se também nessa vontade cultural de objectivação, “redesenho” dos corpos e comércio da vida molecular. Busca-se atingir, através da tecnologia reprodutiva e genética, o instante máximo de separação da sexualidade humana e da reprodução, e aprimora-se a exacerbação mecanicista da instrumentalização biológica de homens e mulheres. Os factos tecnocientíficos abrem fronteiras inestimáveis de liberdade reprodutiva em territórios de absoluto niilismo ético. No campo da reprodução humana cabe indagar sobre a natureza dessa liberdade. Sua base é “mercadológica” e eugénica, dado que as novas gerações são objecto de melhoramento constante em função dos padrões de cultura. Tende-se a acreditar que a genética desenha o destino das pessoas, que serão superiores ou inferiores, evitará a existência de seres defeituosos, deficientes ou fora de padrões considerados de elevada beleza ou inteligência ou, pelo contrário, poderá compôr seres preparados para os trabalhos mais brutos, totalmente desumanizados.
Nas últimas décadas os eventos tecnocientíficos têm alcançado tal dinamismo que proezas artificiais contemporâneas nos permitem comer alimentos produzidos pelo cruzamento, no laboratório, de genes de diferentes espécies ou de espécies “melhoradas” (tomates com cheiro de limão ou tomates que não amassam), de diversos cereais juntos num único cereal, de medicamentos personalizados que prometem rejeitar a possibilidade de doenças hereditárias, entre outros.
A engenharia genética promete uma inédita modificação do corpo humano e ainda incipiente para cobrir as expectativas imaginárias e económicas de vários sectores ligados à medicina e áreas afins."

sábado, fevereiro 25, 2006

ética-engenharia genética



Pela sua natureza, o desenvolvimento da engenharia genética convive com problemas legislativos e éticos. Um dos principais factores que exigem um controlo estreito da sociedade organizada, e tem gerado polémicas ético-morais, é a manipulação da herança genética de seres vivos tendo em vista a eugenia ( é o conjunto das técnicas aplicadas para a melhora genética da espécie humana. Utilizando-se o sistema de interferência na conformação genética de plantas e animais, foi possível melhorar o seu rendimento para consumo humano. Logo, também é possível alterar a conformação humana através das mesmas técnicas.), ou seja, a de depuração da espécie, ou das raças com a finalidade de criar uma espécie, ou raça nova por meios não naturais. Um exemplo típico seriam as mutações controladas, que em determinado momento podem fugir a este controlo e resultar na obtenção de microrganismos, ou mesmo organismos com características inexistentes e desconhecidas, como a capacidade de produzir toxinas ou doenças ou ainda bactérias com resistência a antibioticos, entre outros.
Em 1993 os pesquisadores
Robert Stillman e Jerry Hall da Universidade George Washington realizaram a primeira clonagem de embriões humanos. Embora a experiência não tenha sido finalizada, houve protestos por todo o mundo. Este facto por si só, criou implicações religiosas e morais. Estas levaram à necessidade de uma regulamentação rígida das pesquisas com embriões humanos. A finalidade é evitar o uso de técnicas de engenharia genética cujo objectivo pode ser a alteração permanente do fenótipo da espécie. Além disso, as técnicas de clonagem podem ser utilizadas para copiar artificialmente indivíduos que apresentem genótipos considerados óptimos para determinados fins (militares, ou mesmo olímpicos por exemplo, com a criação de uma super-raça humana).

domingo, janeiro 22, 2006

uma pequena introdução minha


A engenharia genética implica o estudo e manipulação do genoma dos variados organismos existentes. A manipulação dos alimentos, animais(trangénicos) visa, em geral, colher novas características que possam ser avantajosas para a espécie e mesmo na descoberta de curas para doenças, fornecer as espécies uma maior resistência, novas formas de vida são apenas alguns exemplos do que a engenharia genética é capaz!
Mas esta imagem ilustra um dos efeitos negativos da engenharia genética..."brincar" com os seres!
Para a comunidade científica é um grande passo para o futuro, para os mais conservadores um grande erro e obstáculo... Este tema é de grande polémica na medida que mexe com algo que alguns anos atras nao passava de um sonho dos cientistas ditos "loucos". O mundo da ficção está a ultrapassar para a realidade! o meu blog vai por isso abordar algumas formas de actuação desta técnica, abordar os assuntos éticos e sociais também.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

engenharia genética, o que é??


A Engenharia genética é sem dúvida um tema polémico. Esta permite que os cientistas usem os organismos vivos como matéria prima para mudar as formas de vida já existentes e criar novas e pode definir-se como o estudo e manipulação do genoma dos organismos vivos.
Designa-se também pelo conjunto de tecnologias baseadas em conhecimentos sobre as características hereditárias utilizadas para resolver problemas diversos na medicina, agricultura, pecuária e outras áreas. A inseminação artificial é um tipo de engenharia genética tradicional. Outros processos mais actuais são a fertilização in vitro (encontro do óvulo e do espermatozóide fora do corpo, conhecido como "bébé de proveta"), clonagem de embriões ou genética molecular, principalmente através de técnicas do DNA recombinante. A melhoria das raças animais através de cruzamentos seleccionados é uma espécie de engenharia genética ou biotecnologia tradicional. Já a manipulação do código genético, constituído pelo DNA, é a forma mais recente dessas tecnologias.
As características de um organismo são determinadas pelo DNA, que se encontra no núcleo de suas células. O DNA contém a informação genética que determina como as células individuais e, conseqüentemente, o organismo como um todo, será construído, como funcionará e se adaptará ao ambiente.
Um gene é um segmento de DNA ( Ácido Desoxirribonucléico) que, combinado com outros genes, determina a composição das células. Um gene possui uma composição química que vai determinar o seu comportamento. Como isso é passado de geração em geração, a descendência herda estes traços de seus pais. Desenvolvendo-se constantemente, os genes permitem que o organismo se adapte ao ambiente.

A engenharia genética utiliza enzimas para "quebrar" a cadeia de DNA em determinados lugares, inserindo segmentos de outros organismos e restabelecendo a sequência novamente. Os cientistas podem "cortar e colar" genes de um organismo para outro, de modo a mudar a forma do organismo e manipular a sua biologia natural a fim de obter características específicas (por exemplo, determinados genes podem ser inseridos numa planta para que esta produza toxinas contra pestes). Este método é muito diferente do que ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos genes. O lugar em que o gene é inserido não pode ser controlado completamente, o que pode causar resultados inesperados uma vez que os genes de outras partes do organismo podem ser afectados. Daí surgir muitos problemas relacionados com a ética e sociais, abordada por diversos cientistas, historiadores...