Engenharia genetica

Trabalho de biologia proposto pelo docente José Salsa, com o interesse de nos dar a conhecer e de poder também informar outros cibernautas sobre este tema, principalmente abordando os assuntos éticos e sociais que a engenharia genética acarreta. Bem vindo ao mundo, onde os sonhos e os maiores medos são realidades!

terça-feira, março 21, 2006

Excerto de um artigo sobre engenharia genética na perspectiva de Alejandra Rotania


"A engenharia é o conhecimento prático, a arte, a técnica, que permitia antigamente e ainda permite a projecção, o desenho e a construção de artefactos, materiais de diversos graus de complexidade para uso humano, que lhes facilitam a vida e complementam o que a natureza oferece para a sobrevivência.
A diferença entre a engenharia tradicional e a biológica/molecular/genética é que na primeira os protótipos fabricam-se com matéria inerte, inorgânica, eles podem ser, mil vezes experimentados. Na matéria viva, biológica, genética, qualquer erro é definitivo, irreversível, irreparável. Este facto é o que dá o diferencial fantástico da VIDA e o que parece estabelecer um limite ontológico definitivo para a acção humana sobre as espécies e sobre si mesma.
Deste modo, a vida – transformada em novos produtos para o mercado – nas suas múltiplas e variadas expressões, com estruturas que contem e transmitem a hereditariedade das várias espécies de seres vivos, transforma-se em objecto de manipulação tecnocientífica, seja no caso de modificação genética seja no caso das recombinações genéticas (genes de diferentes espécies).O Projecto Genoma Humano é um exemplo relevante dos novos produtos (“originais ou derivados”) do mercado biotecnológico que deflagram disputas económicas entre as grandes corporações. A reprodução humana inclui-se também nessa vontade cultural de objectivação, “redesenho” dos corpos e comércio da vida molecular. Busca-se atingir, através da tecnologia reprodutiva e genética, o instante máximo de separação da sexualidade humana e da reprodução, e aprimora-se a exacerbação mecanicista da instrumentalização biológica de homens e mulheres. Os factos tecnocientíficos abrem fronteiras inestimáveis de liberdade reprodutiva em territórios de absoluto niilismo ético. No campo da reprodução humana cabe indagar sobre a natureza dessa liberdade. Sua base é “mercadológica” e eugénica, dado que as novas gerações são objecto de melhoramento constante em função dos padrões de cultura. Tende-se a acreditar que a genética desenha o destino das pessoas, que serão superiores ou inferiores, evitará a existência de seres defeituosos, deficientes ou fora de padrões considerados de elevada beleza ou inteligência ou, pelo contrário, poderá compôr seres preparados para os trabalhos mais brutos, totalmente desumanizados.
Nas últimas décadas os eventos tecnocientíficos têm alcançado tal dinamismo que proezas artificiais contemporâneas nos permitem comer alimentos produzidos pelo cruzamento, no laboratório, de genes de diferentes espécies ou de espécies “melhoradas” (tomates com cheiro de limão ou tomates que não amassam), de diversos cereais juntos num único cereal, de medicamentos personalizados que prometem rejeitar a possibilidade de doenças hereditárias, entre outros.
A engenharia genética promete uma inédita modificação do corpo humano e ainda incipiente para cobrir as expectativas imaginárias e económicas de vários sectores ligados à medicina e áreas afins."

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