Engenharia genetica

Trabalho de biologia proposto pelo docente José Salsa, com o interesse de nos dar a conhecer e de poder também informar outros cibernautas sobre este tema, principalmente abordando os assuntos éticos e sociais que a engenharia genética acarreta. Bem vindo ao mundo, onde os sonhos e os maiores medos são realidades!

quinta-feira, março 23, 2006

os OGM...A favor e contra

Os alimentos geneticamente modificados suscitam muitas dúvidas, inclusivamente muitas questões éticas sobre as quais todos nos devemos pronunciar.
A ética tem a ver com aquilo que podemos e aquilo que devemos fazer. Tem a ver com a diferença entre bem e mal - certo e errado.
Eis alguns exemplos de questões éticas em torno do debate sobre engenharia genética.
Andarão os cientistas a fazer de Deus ou estarão eles meramente a apoiar uma evolução natural?Quando fazemos modificações genéticas, alteramos as características dos animais e das plantas, retirando genes de uma planta ou animal e colocando-os noutra planta ou animal. Ou ainda, retirando as características indesejáveis da planta ou animal.
Utilizando a engenharia genética, uma característica de um narciso poderá, por exemplo, ser transferida para uma planta do arroz, tendo como finalidade cultivar arroz com um elevado teor de vitamina A. Um narciso e uma planta do arroz nunca se polinizarão uma à outra nem permutarão genes espontaneamente.
É igualmente possível transferir características de um animal para uma planta, que é algo que também não acontece por si na natureza.
Os cépticos poderão perguntar:
Não andarão os cientistas a fazer de Deus ao mudarem as características de uma planta?
E estará certo alterar as suas características inerentes?
Será correcto permitir alterações que não possam ocorrer naturalmente?
Poderão os cientistas permitir-se interferir com muitos milhões de anos de evolução natural? E estará certo permitir-lhes que afectem a ordem natural da natureza?
Os defensores poderão, por outro lado, perguntar:
Se a modificação genética dos alimentos for anti-natural, não serão todos os outros elementos da agricultura anti-naturais? As vacas produzem hoje muito mais leite do que antigamente, os frangos crescem mais depressa e as galinhas põem mais ovos.
Existe alguma diferença entre a modificação genética dos alimentos e as alterações não genéticas permitidas nas culturas e no gado ao longo da história da agricultura? Originariamente, o milho era um vegetal do tamanho de um dedo. Hoje as maçarocas são maiores que a mão de um homem. Uma alteração conseguida, pura e simplesmente, através do desenvolvimento agrícola.
Não é a modificação genética apenas uma extensão do desenvolvimento, que tem vindo a ocorrer ao longo de milhares de anos para assegurar produtos de qualidade?
Os alimentos geneticamente modificados são perigosos ou as pessoas estão apenas receosas de algo novo?Não conhecemos os riscos envolvidos na modificação genética dos alimentos.
Talvez, a longo prazo, a modificação genética dos alimentos possa vir a ser a causa de alterações indesejáveis ou directamente perigosas. A natureza poderá ficar estandardizada. As pessoas poderão adoecer ou ficar estéreis. Não sabemos ao certo.
Quando o telefone apareceu não trouxe as consequências indesejáveis que os cépticos receavam, como o isolamento entre as pessoas e a eliminação da necessidade de se encontrarem com os amigos e familiares. Hoje, muita gente diria que o telefone, pelo contrário, une mais as pessoas. Portanto, talvez os seres humanos receiem, por natureza, as novas tecnologias.
Os cépticos poderão perguntar:
Sabemos o suficiente para podermos consumir com segurança alimentos geneticamente modificados? Qual o grau de segurança da avaliação de riscos que os cientistas fazem dos alimentos geneticamente modificados?
Ousaremos correr o risco de utilizar a modificação genética dos alimentos sem sabermos os seus efeitos a longo prazo?
Será justo comparar a modificação genética dos alimentos com uma descoberta como o telefone? Os telefones não têm filhos!
Ousaremos correr o risco de expor o ambiente a plantas geneticamente modificadas? Se se descobrir que elas são nocivas, não poderemos fazer nada. E os danos podem disseminar-se se as plantas se multiplicarem.
Os alimentos geneticamente modificados serão realmente necessários? Vale a pena correr os riscos para nós e para o ambiente se pudermos dispensar os alimentos geneticamente modificados?
Os defensores poderão, por outro lado, perguntar:
Os alimentos geneticamente modificados não são apenas uma parte natural do desenvolvimento do homem? Quem poderia imaginar hoje o mundo sem telefones?
Poderemos permitir-nos dizer não à tecnologia, que pode reduzir a utilização de pulverizações e proporcionar alimentos mais saudáveis, apenas pelo facto de sermos naturalmente receosos?
Será realmente possível prever o risco num mundo em constante mudança?
Será razoável aceitar um grau de risco se os benefícios forem suficientemente grandes? Não será isto um jogo associado a qualquer tipo de desenvolvimento?
Deveremos ter sempre o direito de escolher aquilo que comemos?Na Europa, se um alimento contiver material geneticamente modificado, terá de constar na respectiva embalagem que se trata de um alimento geneticamente modificado.
Os alimentos que contiverem involuntariamente menos de 1% de material geneticamente modificado não necessitam de rotulagem. O mesmo é válido para os alimentos produzidos a partir de plantas geneticamente modificadas mas que não contenham material geneticamente modificado.
O leite e os produtos animais, derivados de animais alimentados com ração geneticamente modificada, não necessitam de rotulagem. Por outras palavras, um produto alimentar pode ser produzido com a ajuda de modificação genética sem que o consumidor seja disso informado na embalagem.
Os cépticos poderão perguntar:
Será correcto que o açúcar extraído de beterrabas geneticamente modificadas e o óleo extraído de sementes de colza geneticamente modificada não necessitem de ser rotulados?
E que a carne e o leite dos animais alimentados com rações geneticamente modificadas não tenham que ser rotulados?
A questão importante não será assegurar que, nos casos em que a modificação genética tenha sido utilizada, os consumidores sejam avisados para poderem evitar esses produtos?
Não deveria o consumidor poder verificar em todos os alimentos se os mesmos são produzidos com o recurso à modificação genética?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Se o açúcar extraído de uma beterraba geneticamente modificada é idêntico a todos os outros açúcares, não será indiferente para o consumidor se o açúcar é ou não produzido com a ajuda da engenharia genética?
Se um rótulo significa alguma coisa, não deverá ele permitir-nos discernir a diferença entre os produtos?
Não estaremos aqui perante um debate totalmente diferente? Um debate sobre como produzimos hoje os nossos alimentos e como queremos que eles sejam produzidos no futuro. Será razoável, por exemplo, que muitos alimentos sejam bombardeados de produtos químicos cancerígenos e alergénicos?
A quem pertencem os genes?Geralmente, são as grandes multinacionais que financiam o desenvolvimento de produtos geneticamente modificados.
Quando uma empresa desenvolve um novo produto, é usual essa empresa patentear o produto. Isto poderá significar que um agricultor que tenha adquirido uma semente geneticamente modificada, não possa cultivar sementes para semear nos anos seguintes sem ter de pagar.
As normas das patentes variam de país para país. Na Europa aplica-se o chamado "privilégio do agricultor", o que significa que o agricultor poderá semear sementes geneticamente modificadas que ele próprio tenha cultivado. Mas a semente só pode ser utilizada no seu próprio terreno.
As empresas poderão assegurar os seus rendimentos provenientes das plantas geneticamente modificadas utilizando a chamada tecnologia terminadora. Neste caso, as plantas são geneticamente modificadas por forma a que as respectivas sementes sejam estéreis. Isto significa que não é possível continuar a propagar a planta geneticamente modificada. Mas significa também que os agricultores são obrigados a comprar anualmente novas sementes.
Os cépticos poderão perguntar:
Será justo as empresas patentearem plantas geneticamente modificadas e reter direitos sobre elas?
É aceitável que as empresas possam cada vez mais controlar os genes, os processos e os produtos químicos? Por exemplo, é possível uma empresa desenvolver um produto para pulverização e uma cultura geneticamente modificada capaz de resistir a esse produto de pulverização
Não será a riqueza biológica da terra herança e propriedade de toda a humanidade?
Será justo a tecnologia terminadora forçar os agricultores pobres a adquirir todos os anos novas sementes, podendo eles obter as suas próprias sementes completamente de graça?
Será justo as grandes empresas terem poder e controlo sobre a nossa cadeia alimentar, deste o solo até à mesa?
As multinacionais não estarão apenas a alargar o fosso existente entre os ricos do ocidente e os pobres dos países subdesenvolvidos?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Quem disse que as patentes das empresas são algo a recear? Se o preço praticado junto dos agricultores pobres for muito alto, as grandes empresas pura e simplesmente não conseguirão vender as suas sementes.
Será justo negar uma tecnologia capaz de nos proporcionar novas e valiosas descobertas?
Não será razoável as empresas cobrirem os custos de desenvolvimento da modificação genética com direitos de patente?
Iremos correr o risco de as empresas não investirem dinheiro no desenvolvimento de alimentos geneticamente modificados melhores e mais baratos?
Não será razoável utilizar terminologia terminadora para evitar a disseminação de plantas geneticamente modificadas aos terrenos circundantes e à natureza?
Será tão importante saber quem produz os alimentos, se estes forem melhores e mais baratos?
Poderão os países ricos recusar-se a salvar os pobres de morrer de fome?A maior parte da investigação sobre os alimentos geneticamente modificados decorre nos países mais ricos. Mas alguns dos produtos são desenvolvidos para beneficiar os países pobres e subdesenvolvidos.
O arroz geneticamente transformado com um suplemento de Vitamina A poderá ajudar muitos pobres que, de outro modo, poderiam cegar ou morrer de carências vitamínicas. O milho geneticamente modificado pode ser cultivado em zonas desérticas, o que poderá dar aos agricultores pobres uma maior segurança com uma colheita que não falha.
Os cépticos poderão perguntar
Será justo o ocidente desenvolver produtos de que os países subdesenvolvidos possam ficar dependentes?
Uma distribuição mais justa dos alimentos existentes no mundo e uma dieta mais variada nos países subdesenvolvidos não seria uma melhor solução?
As promessas de salvar as populações famintas do mundo não serão apenas um truque astucioso das empresas de biotecnologia? Um truque para convencer os cépticos de que há vantagens na tecnologia genética.
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Será justo que nós, no mundo ocidental, nos distanciemos de uma tecnologia que poderá salvar os países subdesenvolvidos da fome?
Poderemos permitir-nos dizer não às culturas geneticamente modificadas, se estas ajudarem os agricultores pobres a obterem uma melhor colheita? Por exemplo, com culturas capazes de suportar períodos de seca.
Não deveríamos estar gratos pela existência de arroz geneticamente modificado com nutrientes suplementares capazes de prevenirem a doença e a cegueira?
Poderemos nós, no mundo ocidental, permitir-nos dizer não em nome dos pobres?
Estaremos a jogar à roleta russa com o ambiente quando fazemos modificação genética?A modificação genética poderá proporcionar-nos plantas e animais com muitas características diferentes.
Por exemplo, foi desenvolvida uma qualidade de milho capaz de produzir insecticida. Estas características significam que o agricultor já não necessita de pulverizar insecticida que iria afectar o meio envolvente. Ao evitar a utilização de pesticidas, o agricultor evita contaminar o ambiente.
Mas o veneno do milho também poderá afectar outros animais para além dos nocivos. Deste modo, animais inofensivos arriscam-se a perder o seu alimento ou mesmo a extinguir-se.
Os cépticos poderão perguntar:
Poderemos aceitar o risco de as características transferidas se alastrarem às plantas selvagens?
Poderemos correr o risco de desconhecer as consequências da disseminação destas características à natureza?
E se uma planta geneticamente modificada se reproduzir como os coelhos que foram levados para a Austrália? Os coelhos causaram enormes alterações na cadeia alimentar. Tal como a pata-de-urso gigante do Cáucaso que alastrou descontroladamente na Europa sufocando outras espécies vegetais.
Não estará o desenvolvimento a caminhar na direcção errada quando produzimos plantas geneticamente modificadas capazes de resistir à pulverização da cultura? Não seria preferível trabalharmos no sentido de eliminar completamente os venenos?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Poderemos permitir-nos dizer não às plantas geneticamente modificadas capazes de reduzir a utilização de produtos tóxicos para pulverização?
Com os impactes existentes sobre o nosso ambiente, não deveríamos estar gratos por uma tecnologia que possibilita a sua protecção? Os alimentos geneticamente modificados suscitam muitas dúvidas, inclusivamente muitas questões éticas sobre as quais todos nos devemos pronunciar.
A ética tem a ver com aquilo que podemos e aquilo que devemos fazer. Tem a ver com a diferença entre bem e mal - certo e errado.
Eis alguns exemplos de questões éticas em torno do debate sobre engenharia genética.
Andarão os cientistas a fazer de Deus ou estarão eles meramente a apoiar uma evolução natural?Quando fazemos modificações genéticas, alteramos as características dos animais e das plantas, retirando genes de uma planta ou animal e colocando-os noutra planta ou animal. Ou ainda, retirando as características indesejáveis da planta ou animal.
Utilizando a engenharia genética, uma característica de um narciso poderá, por exemplo, ser transferida para uma planta do arroz, tendo como finalidade cultivar arroz com um elevado teor de vitamina A. Um narciso e uma planta do arroz nunca se polinizarão uma à outra nem permutarão genes espontaneamente.
É igualmente possível transferir características de um animal para uma planta, que é algo que também não acontece por si na natureza.
Os cépticos poderão perguntar:
Não andarão os cientistas a fazer de Deus ao mudarem as características de uma planta?
E estará certo alterar as suas características inerentes?
Será correcto permitir alterações que não possam ocorrer naturalmente?
Poderão os cientistas permitir-se interferir com muitos milhões de anos de evolução natural? E estará certo permitir-lhes que afectem a ordem natural da natureza?
Os defensores poderão, por outro lado, perguntar:
Se a modificação genética dos alimentos for anti-natural, não serão todos os outros elementos da agricultura anti-naturais? As vacas produzem hoje muito mais leite do que antigamente, os frangos crescem mais depressa e as galinhas põem mais ovos.
Existe alguma diferença entre a modificação genética dos alimentos e as alterações não genéticas permitidas nas culturas e no gado ao longo da história da agricultura? Originariamente, o milho era um vegetal do tamanho de um dedo. Hoje as maçarocas são maiores que a mão de um homem. Uma alteração conseguida, pura e simplesmente, através do desenvolvimento agrícola.
Não é a modificação genética apenas uma extensão do desenvolvimento, que tem vindo a ocorrer ao longo de milhares de anos para assegurar produtos de qualidade?
Os alimentos geneticamente modificados são perigosos ou as pessoas estão apenas receosas de algo novo?Não conhecemos os riscos envolvidos na modificação genética dos alimentos.
Talvez, a longo prazo, a modificação genética dos alimentos possa vir a ser a causa de alterações indesejáveis ou directamente perigosas. A natureza poderá ficar estandardizada. As pessoas poderão adoecer ou ficar estéreis. Não sabemos ao certo.
Quando o telefone apareceu não trouxe as consequências indesejáveis que os cépticos receavam, como o isolamento entre as pessoas e a eliminação da necessidade de se encontrarem com os amigos e familiares. Hoje, muita gente diria que o telefone, pelo contrário, une mais as pessoas. Portanto, talvez os seres humanos receiem, por natureza, as novas tecnologias.
Os cépticos poderão perguntar:
Sabemos o suficiente para podermos consumir com segurança alimentos geneticamente modificados? Qual o grau de segurança da avaliação de riscos que os cientistas fazem dos alimentos geneticamente modificados?
Ousaremos correr o risco de utilizar a modificação genética dos alimentos sem sabermos os seus efeitos a longo prazo?
Será justo comparar a modificação genética dos alimentos com uma descoberta como o telefone? Os telefones não têm filhos!
Ousaremos correr o risco de expor o ambiente a plantas geneticamente modificadas? Se se descobrir que elas são nocivas, não poderemos fazer nada. E os danos podem disseminar-se se as plantas se multiplicarem.
Os alimentos geneticamente modificados serão realmente necessários? Vale a pena correr os riscos para nós e para o ambiente se pudermos dispensar os alimentos geneticamente modificados?
Os defensores poderão, por outro lado, perguntar:
Os alimentos geneticamente modificados não são apenas uma parte natural do desenvolvimento do homem? Quem poderia imaginar hoje o mundo sem telefones?
Poderemos permitir-nos dizer não à tecnologia, que pode reduzir a utilização de pulverizações e proporcionar alimentos mais saudáveis, apenas pelo facto de sermos naturalmente receosos?
Será realmente possível prever o risco num mundo em constante mudança?
Será razoável aceitar um grau de risco se os benefícios forem suficientemente grandes? Não será isto um jogo associado a qualquer tipo de desenvolvimento?
Deveremos ter sempre o direito de escolher aquilo que comemos?Na Europa, se um alimento contiver material geneticamente modificado, terá de constar na respectiva embalagem que se trata de um alimento geneticamente modificado.
Os alimentos que contiverem involuntariamente menos de 1% de material geneticamente modificado não necessitam de rotulagem. O mesmo é válido para os alimentos produzidos a partir de plantas geneticamente modificadas mas que não contenham material geneticamente modificado.
O leite e os produtos animais, derivados de animais alimentados com ração geneticamente modificada, não necessitam de rotulagem. Por outras palavras, um produto alimentar pode ser produzido com a ajuda de modificação genética sem que o consumidor seja disso informado na embalagem.
Os cépticos poderão perguntar:
Será correcto que o açúcar extraído de beterrabas geneticamente modificadas e o óleo extraído de sementes de colza geneticamente modificada não necessitem de ser rotulados?
E que a carne e o leite dos animais alimentados com rações geneticamente modificadas não tenham que ser rotulados?
A questão importante não será assegurar que, nos casos em que a modificação genética tenha sido utilizada, os consumidores sejam avisados para poderem evitar esses produtos?
Não deveria o consumidor poder verificar em todos os alimentos se os mesmos são produzidos com o recurso à modificação genética?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Se o açúcar extraído de uma beterraba geneticamente modificada é idêntico a todos os outros açúcares, não será indiferente para o consumidor se o açúcar é ou não produzido com a ajuda da engenharia genética?
Se um rótulo significa alguma coisa, não deverá ele permitir-nos discernir a diferença entre os produtos?
Não estaremos aqui perante um debate totalmente diferente? Um debate sobre como produzimos hoje os nossos alimentos e como queremos que eles sejam produzidos no futuro. Será razoável, por exemplo, que muitos alimentos sejam bombardeados de produtos químicos cancerígenos e alergénicos?
A quem pertencem os genes?Geralmente, são as grandes multinacionais que financiam o desenvolvimento de produtos geneticamente modificados.
Quando uma empresa desenvolve um novo produto, é usual essa empresa patentear o produto. Isto poderá significar que um agricultor que tenha adquirido uma semente geneticamente modificada, não possa cultivar sementes para semear nos anos seguintes sem ter de pagar.
As normas das patentes variam de país para país. Na Europa aplica-se o chamado "privilégio do agricultor", o que significa que o agricultor poderá semear sementes geneticamente modificadas que ele próprio tenha cultivado. Mas a semente só pode ser utilizada no seu próprio terreno.
As empresas poderão assegurar os seus rendimentos provenientes das plantas geneticamente modificadas utilizando a chamada tecnologia terminadora. Neste caso, as plantas são geneticamente modificadas por forma a que as respectivas sementes sejam estéreis. Isto significa que não é possível continuar a propagar a planta geneticamente modificada. Mas significa também que os agricultores são obrigados a comprar anualmente novas sementes.
Os cépticos poderão perguntar:
Será justo as empresas patentearem plantas geneticamente modificadas e reter direitos sobre elas?
É aceitável que as empresas possam cada vez mais controlar os genes, os processos e os produtos químicos? Por exemplo, é possível uma empresa desenvolver um produto para pulverização e uma cultura geneticamente modificada capaz de resistir a esse produto de pulverização
Não será a riqueza biológica da terra herança e propriedade de toda a humanidade?
Será justo a tecnologia terminadora forçar os agricultores pobres a adquirir todos os anos novas sementes, podendo eles obter as suas próprias sementes completamente de graça?
Será justo as grandes empresas terem poder e controlo sobre a nossa cadeia alimentar, deste o solo até à mesa?
As multinacionais não estarão apenas a alargar o fosso existente entre os ricos do ocidente e os pobres dos países subdesenvolvidos?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Quem disse que as patentes das empresas são algo a recear? Se o preço praticado junto dos agricultores pobres for muito alto, as grandes empresas pura e simplesmente não conseguirão vender as suas sementes.
Será justo negar uma tecnologia capaz de nos proporcionar novas e valiosas descobertas?
Não será razoável as empresas cobrirem os custos de desenvolvimento da modificação genética com direitos de patente?
Iremos correr o risco de as empresas não investirem dinheiro no desenvolvimento de alimentos geneticamente modificados melhores e mais baratos?
Não será razoável utilizar terminologia terminadora para evitar a disseminação de plantas geneticamente modificadas aos terrenos circundantes e à natureza?
Será tão importante saber quem produz os alimentos, se estes forem melhores e mais baratos?
Poderão os países ricos recusar-se a salvar os pobres de morrer de fome?A maior parte da investigação sobre os alimentos geneticamente modificados decorre nos países mais ricos. Mas alguns dos produtos são desenvolvidos para beneficiar os países pobres e subdesenvolvidos.
O arroz geneticamente transformado com um suplemento de Vitamina A poderá ajudar muitos pobres que, de outro modo, poderiam cegar ou morrer de carências vitamínicas. O milho geneticamente modificado pode ser cultivado em zonas desérticas, o que poderá dar aos agricultores pobres uma maior segurança com uma colheita que não falha.
Os cépticos poderão perguntar
Será justo o ocidente desenvolver produtos de que os países subdesenvolvidos possam ficar dependentes?
Uma distribuição mais justa dos alimentos existentes no mundo e uma dieta mais variada nos países subdesenvolvidos não seria uma melhor solução?
As promessas de salvar as populações famintas do mundo não serão apenas um truque astucioso das empresas de biotecnologia? Um truque para convencer os cépticos de que há vantagens na tecnologia genética.
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Será justo que nós, no mundo ocidental, nos distanciemos de uma tecnologia que poderá salvar os países subdesenvolvidos da fome?
Poderemos permitir-nos dizer não às culturas geneticamente modificadas, se estas ajudarem os agricultores pobres a obterem uma melhor colheita? Por exemplo, com culturas capazes de suportar períodos de seca.
Não deveríamos estar gratos pela existência de arroz geneticamente modificado com nutrientes suplementares capazes de prevenirem a doença e a cegueira?
Poderemos nós, no mundo ocidental, permitir-nos dizer não em nome dos pobres?
Estaremos a jogar à roleta russa com o ambiente quando fazemos modificação genética?A modificação genética poderá proporcionar-nos plantas e animais com muitas características diferentes.
Por exemplo, foi desenvolvida uma qualidade de milho capaz de produzir insecticida. Estas características significam que o agricultor já não necessita de pulverizar insecticida que iria afectar o meio envolvente. Ao evitar a utilização de pesticidas, o agricultor evita contaminar o ambiente.
Mas o veneno do milho também poderá afectar outros animais para além dos nocivos. Deste modo, animais inofensivos arriscam-se a perder o seu alimento ou mesmo a extinguir-se.
Os cépticos poderão perguntar:
Poderemos aceitar o risco de as características transferidas se alastrarem às plantas selvagens?
Poderemos correr o risco de desconhecer as consequências da disseminação destas características à natureza?
E se uma planta geneticamente modificada se reproduzir como os coelhos que foram levados para a Austrália? Os coelhos causaram enormes alterações na cadeia alimentar. Tal como a pata-de-urso gigante do Cáucaso que alastrou descontroladamente na Europa sufocando outras espécies vegetais.
Não estará o desenvolvimento a caminhar na direcção errada quando produzimos plantas geneticamente modificadas capazes de resistir à pulverização da cultura? Não seria preferível trabalharmos no sentido de eliminar completamente os venenos?
Por outro lado, os defensores poderão perguntar:
Poderemos permitir-nos dizer não às plantas geneticamente modificadas capazes de reduzir a utilização de produtos tóxicos para pulverização?
Com os impactes existentes sobre o nosso ambiente, não deveríamos estar gratos por uma tecnologia que possibilita a sua protecção?

retirado de:www.bionetonline.org